domingo, julho 23, 2006

Teimo sempre que o açúcar não bem dissolvido e deixo os dedos colados à colher, às voltas, às voltas, como se uma diversão qualquer. Há coisa de dias, à distância comedida que se quer entre quase desconhecidos, decerto com o lábio inferior a distanciar-se a medo do de cima, se mantenho as coisas assim, é por os ver mais animados. Empurrei os olhos coisa de alguns palmos à direita e uma marca de transpiração de dedos de uma resignação amordaçada na mesa.
Retomei o açúcar e, entre uma e outra volta, arrastado, qualquer dia faço-o mesmo. Como que de dedo em riste contra a rouquidão, sabes? A auto-assistir-se, dirias. A sair-lhe ela e não a parte malhada de muitos outros. Visita de hora de a minha tia de luvas de borracha e detergente de loiça, a ouvir o que a torneira deixa.
Regresso-me, como se uma diversão qualquer, porque a minha vontade de então deixe-se dos outros, de ser o que eles dizem que é começou a tremer de fraqueza, a ver manchas brancas, a desfalecer. Por isso e porque talvez nem sempre haja quem fale em voz baixa, o suficiente para nos escutarmos, como dizias. O açúcar já todo só café.
Não, talvez até não por isso, mas porque a gritaria dos outros, a mão que não é nossa a moldar-nos a forma seja modo de nós de punho cerrado para nos sermos. Uma espécie de rascunhem, que hei-de passar como quiser.
Mas eu às voltas, às voltas.

6 comentários:

Sandra Costa disse...

Margarida e Júlia,

Andei eu, também, às voltas por aqui, à procura de um contacto de e-mail para lhes agradecer a ligação ao Tubo de Ensaio. Espaço onde pulo, mas nem sempre avanço.
Obrigada por reconhecerem, aqui, o manto e a sombra onde ali, no TdE, abrigo as minhas profundas incertezas sobre as coisas do mundo e o mundo das coisas.

A partir de hoje, vossa leitora.
sandra

Júlia disse...

E que as incertezas encontraram forma de abrigo e expressão muito interessante no Tubo de Ensaio, encontraram.
Conte com muitas voltas nossas por lá.
Obrigada pela visita e pela leitura.

Claire disse...

Se algum dia eu deixasse de estar às voltas, eu me perderia, creio que sim.

Júlia disse...

Tenho de concordar - a necessidade de um ainda não é bem isto como forma de nos mantermos.

BlahBlahBlah disse...

Agradeço o link para o TalvezTeEscreva, que retribuirei naturalmente.

[Ele há coisas extraordinárias!]...

Júlia disse...

Obrigada por nos escrever.

[Ele há coisas extraordinárias!]...