sexta-feira, abril 21, 2006

Escrevo-te porque uma história de manhã, logo com o café. Por isso e porque uma tarde cheia de barulhinhos a pesarem-me, movimentos arrastados, cansados, ao ritmo com que me escorregam os ponteiros.
Uma história que ouvi ao senhor Artur. Não que ma tenha contado a mim, ando sempre com os olhos demasiado embrulhados no chão, nas chávenas, nos balcões, na carteira, para me andarem a despejar histórias. Dizia que há histórias assim. Esperas calmas e permanentes. Que um dia a despedida com o regresso mesmo encostadinho, despedida de vais ver que passa depressa, daqui a nada estou cá. E que até hoje. E que a senhora… (ficou-me o nome entre os trocos) com a mesa pronta. Histórias assim, acreditas? Esperas calmas e permanentes? Que por volta das sete dois pratos e os talheres todos.
E anda-me a tarde cheia de barulhinhos. O frigorífico, a espaços teimosos, murmura-me o incómodo de uma vida cheia de costumes. Palavra que é difícil aguentá-lo. Aguentar o frigorífico, pássaros de fim de tarde e histórias assim. Acreditas?

5 comentários:

Amélia disse...

Bem-vindas à blogolândia!

Júlia disse...

Obrigada pelas boas-vindas e por ler as nossas linhas.

Paulo José Miranda disse...

São bonitos estes diálogos entre Margarida e Júlia. Diálogos falsos, de quem ouve do outro apenas o quer, apenas aquilo que lhe serve pra uma outra canção.

Tinha saudades dessa palavra: frigorífico.

Júlia disse...

Sim, agarrar uma brecha para seguir para outras palavras. Sem deixar de estar à espreita do que a outra disse.
Obrigada pela leitura.

Anónimo disse...

Deste gosto. Com os barulhinhos e a vida de todos os dias a incomodar quase sem se dar por isso. Agora, ao trabalho, que isto doi só um intervalo. Vou lendo os outros aos poucos.